quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Bandas cover - Uma praga que se alastra

Faz algum tempo que venho me incomodando muito com o atual cenário de shows que encontro em São Paulo, tanto na capital, como onde moro, em Sorocaba que fica a 90 km da capital.

Chega um final de semana e fico a pensar um lugar bacana para ir, onde rolasse um rock de qualidade. Então me deparo com uma tragédia que assola São Paulo nos últimos anos... Para todo lugar que penso em ir está rolando um show cover. Nada mais frustrante!

Não tenho nada contra bandas cover (mas nada a favor também), pois é comum uma banda começar tocando cover e depois partir para suas composições próprias. Mas bandas que se limitam a tornarem se profissionais em imitar os outros, os chamados “covers oficias” é o que há de mais tosco no cenário musical,  me desculpe o pessoal que integra essas bandas, mas é verdade.

Hibria, um dos nomes mais fortes no Brasil recentemente, foi a primeira banda brasileira a fazer uma turê pela China.

Se você vai levar uma conversa com os organizadores e donos de casas de show, eles sempre dizem que dão ao público o que o público quer. Banda cover é o que dá público, portanto dá dinheiro e é por isso que eles contratam mais bandas cover do que bandas autorais. Realizam-se shows de bandas de som próprio e o público não comparece. Puta que o pariu, se eu quisesse ouvir Iron Maiden eu ficaria em casa ouvindo o original com a ótima qualidade de som de um álbum de estúdio em meu magnífico aparelho de som, ao invés de ver uma imitação em uma casa de show com uma aparelhagem sonora razoável.

Tierramystica, um dos destaques do país nos últimos anos com seu Folk Metal unindo a música pesada com a música de raiz latino americana.

Sobre bandas autorais eu frequentemente ouço, “ah, mas eu não conheço a banda, por isso não vou”. Está certo, mas ir ao show de uma banda é a melhor maneira de se conhecer o som dos caras. Temos de lembrar que a internet é algo recente, antigamente as pessoas precisavam levantar suas bundas gordas da cadeira e ir aos shows para conhecer bandas. Não existia youtube e sites de compartilhamento para você ficar o dia todo baixando álbuns que seriam porcamente ouvidos de tanta informação jogada na sua cabeça.

Com a valorização de bandas cover por parte do público e de organizadores há também um genocídio de compositores. E o que mais irrita nisso tudo é que o cenário underground brasileiro do heavy metal não é fraco com muitas bandas ruins, muito pelo contrário, é considerado como uma das principais cenas undergrounds do estilo em todo o mundo. Em meados dos anos 90 Brasil, Finlândia e Suécia eram apontados como os próximos países a entrarem na elite do heavy metal, o que hoje é fato, exceto com o Brasil que é tido até hoje por muitos como a mais forte cena underground no mundo.

Caravellus, metal progressivo de primeira qualidade.

Renomadas bandas como Angra e Sepultura sempre atraem grandes públicos, mas é só. Todas as outras precisam lutar entre as bandas cover para conseguir onde tocar. Me despeço tentando encontrar algum local nessa cidade onde a geração cover não tenha se impregnado.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Eluveitie - Ressuscitando a cultura galega

Caros colegas, hoje trago uma dica de banda aos amantes da música pesada.
A banda em questão é proveniente da Suiça e se chama Eluveitie, uma banda normalmente rotulada como Folk Metal fazendo a mistura da música de raiz Celta com o Death Metal Melódico.

Eluveitie significa "O Helvécio" na extinta língua galega, sendo que o povo dos Helvécios era uma das muitas tribos Celtas e se localizavam no que hoje é a Suiça e também o sul da Alemanha. Um dos fatos marcantes na banda é que há muitas músicas cantadas em Gaulês que era a língua falada pelos Celtas que moravam na Gália (que consistia todo o territorio francês e partes da Bélgica, Alemanha e Itália) antes de serem dominados pelo Império Romano. O idioma foi extinto no século VI, mas nos últimos anos muitos arqueólogos tem descoberto vestígios do idioma em manuscritos, rochas, antigos artefatos etc.
A banda Eluveitie tem acompanhado isso de perto e algumas de suas músicas são versões musicadas de textos gauleses super antigos, assim como quase todas as músicas da banda estão conectadas à história e literatura dos Helvécios. O mais recente álbum da banda tem todas as suas letras baseadas no "Commentari de Bello Gallico" (Comentários sobre a Guerra Gálica) escrito pelo imperador romano Júlio César, porém aqui a banda dá os comentários do ponto de vista dos gauleses.

Portanto o Eluveitie não é apenas mais uma banda de folk metal que mescla heavy metal com a música celta, os caras realmente são fissurados pelas raízes de seu povo. A banda é composta por oito integrantes tendo Ivo Henzi e Siméon Koch nas guitarras, Merlin Sutter na bateria, Kay Brem no baixo, Meri Tadic no violino e vocal,  Anna Murphy no Hurdy Gurdy e vocal, Pade Kistler na gaita de fole e flauta e Chrigel Glanzmann na mandola, flauta, bodhrán e vocal.
A banda usa de vários instrumentos típicos como o Hurdy Gurdy para criar a atmosfera celta de suas músicas, mas sem nunca deixar o heavy metal de lado. Alguns exemplos de músicas abaixo.


Curiosidade: Inis Mona era o nome céltico da ilha hoje chamada "Isle of Anglesey" no norte do País de Gales. Em Inis Mona havia se estabelecido o maior colégio para Druidas já criado pelos celtas e por isso atraia os jovens celtas de todas as tribos espalhadas pela Europa. A formação de um Druida na ilha poderia chegar a até 20 anos.


Curiosidade: Omnos (que significa "medo") é toda cantada em Gaulês.


Curiosidade: Epona era uma especie de deusa da fertilidade na religião pagã dos galegos e protegia os cavalos, burros, éguas, mulas e etc.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Steins;Gate

Salve pessoal. Renascendo das cinzas estou, de volta ao blog e pretendo postar com mais frequência por aqui. Adicionei um gadget ao blog que manda os comentários direto ao meu e mail cadastrado no blogger, assim os comentários não serão publicados aqui na página... Tenho preguiça de ficar acessando para responder os mesmos. Como acesso meu e-amil direto, fica mais fácil hehe. Mas não se preocupem, estarei sempre visitando os blogs de vocês e comentando por lá.

Para começar, venho aqui postar a resenha de um anime que estive assistindo nas duas últimas semanas, Steins;Gate.

“Teoria da relatividade: apesar de muito romântica, é porem muito triste, porque o tempo ser devagar ou rápido depende de sua percepção.” – Makise Kurisu

Steins; Gate é um anime lançado em 2011, adaptado de uma visual novel de mesmo nome lançada em 2009 para Xbox 360. A estória do anime se desenvolve em uma cidade chamada Akihabara ao redor do grupo de personagens que integram o chamado “Laboratório de Aparatos Futuristas”, usado para a criação de invenções, sendo que uma delas será a máquina do tempo.

A estória começa de fato quando o laboratório é formado ainda por apenas 3 pessoas, Rintaro Okabe que se autodenomina um cientista louco a refere se a si mesmo como Hõõin Kyõma, e Mayuri Shina e Itaru Hashida que chamam Okabe de “Okarin”.
Em certo dia, Okarin e Mayuri foram assistir a uma palestra sobre física de partículas e após a mesma Okabe encontra Makise Kurisu, uma garota de 18 reconhecida como um gênio da ciência, caída sobre uma poça de sangue. Os dois saem do prédio chocados e Okabe manda uma mensagem para Daru, e por um momento percebe que tudo a sua volta estava completamente vazio, mas logo volta a si. Mais tarde Okarin descobre Kurisu estava viva e começa a investigar o ocorrido, descobrindo que havia criado uma máquina que podia mandar mensagens para o passado, assim alterando o presente.


Steins; Gate é um anime Sci-Fi e envolve viagens no tempo, paradoxos temporais, teoria da relatividade, teoria das linhas e se alimenta bastante de acontecimentos reais, como o Bug do milênio, o viajante do tempo John Titor que foi febre na internet por volta de 2001 e o ar místico que o mesmo criou em torno do computador IBM 5100. Apesar de em alguns momentos o fato de você ter um mínimo conhecimento em física tornar o anime mais interessante, tudo isso é introduzido no anime de forma suave para que qualquer um possa entender. Assim, longe de ser algo denso como Serial Experiments Lain, por exemplo.


 O primeiro episodio do anime é bem intrincado e confuso, tive de ver duas vezes para entender, mas é essencial o assistir com muita atenção, pois no final fará todo o sentido. Muita gente considera os primeiros episódios maçantes, confusos e tediosos (não me incluo ai), de fato eles podem afastar os mais ávidos por ação e os que não estão familiarizados com Sci-Fi. Porém a segunda metade do anime dá uma reviravolta nos apresentando muitos momentos de tensão, suspense e alta dose dramática com as viagens no tempo e suas consequências que vão cada vez mais se emaranhando e criando uma rede toda intrincada que depois é dramaticamente necessária ser desfeita.


 A estória é envolvente de inicio a fim e os personagens são muito bem desenvolvidos, todos os 8 membros do laboratório são muito carismáticos e Okarin e Kurisu poderiam formar uma dupla de comediantes. Okarin, nosso cientista louco, é um espetáculo à parte, um dos personagens mais carismáticos que já vi em animes, é de se destacar o trabalho perfeito do dublador do personagem, as expressões vocais do cientista são fantásticas.
A animação é bonita, nada de muito extravagante, uma arte simples raramente apresentando cores fortes envolvidas numa trilha sonora de qualidade que não deixa a desejar em momento algum.